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Entrevista em inglês para vagas de tecnologia: o que está sendo avaliado de verdade

Beatriz
Por Beatriz
10 de outubro de 2026 · 6 min de leitura
Homem de óculos fala e gesticula diante de um notebook, durante uma chamada de vídeo em casa.
Na entrevista por vídeo, conta tanto o que você fez quanto a forma como você explica. Foto: Diva Plavalaguna / Pexels

Quem chega a uma entrevista internacional normalmente já usa inglês no trabalho: lê documentação, escreve PR, acompanha call. Mesmo assim, muita gente boa sai do processo sem entender o que deu errado. O motivo, na maioria das vezes, não é gramática. É a diferença entre o jeito brasileiro de falar sobre o próprio trabalho e o jeito que o entrevistador estrangeiro espera ouvir.

As etapas de um processo internacional

O formato muda de empresa para empresa, mas a maioria dos processos para vagas de tecnologia passa por estas conversas. Em cada uma, o inglês é avaliado de um jeito diferente.

Conversa com recrutador

Curta, quase sempre por vídeo. Avalia se você se comunica com clareza, se sua experiência combina com a vaga e se a expectativa salarial cabe no orçamento. É aqui que costuma aparecer a pergunta sobre salário.

Entrevista comportamental

Perguntas como "Tell me about a time you disagreed with your manager". Avalia como você age em situações reais, e a resposta precisa mostrar o que você fez e o que mudou por causa disso.

Entrevista técnica

Live coding, system design ou discussão de um projeto. O código importa, mas o entrevistador também avalia se você explica o raciocínio em voz alta e se defende uma decisão quando é questionado.

Conversa com a liderança

Com o gestor da vaga ou alguém da diretoria. Mistura as anteriores e pesa mais a forma como você fala de impacto, prioridades e trabalho com outras pessoas.

8 diferenças culturais que custam pontos

Nenhum desses pontos é erro de inglês. Todos são hábitos de comunicação que funcionam bem numa entrevista no Brasil e passam outra impressão para um entrevistador de fora, principalmente em empresas americanas.

01 Falar "nós" quando a pergunta é sobre você

No Brasil, dividir o crédito com o time soa como maturidade. Numa entrevista internacional, a resposta só no "we" deixa o entrevistador sem saber qual foi a sua parte, e ele não pode avaliar o que não ouviu. É comum ser interrompido com "But what did you do?". Citar o time não é o problema; o problema é a resposta terminar sem a sua participação clara.

Fraca

We migrated the payment service to Kubernetes and it went really well.

Forte

I led the migration of our payment service to Kubernetes. I wrote the rollout plan and handled the database cutover. As a team, we cut deploy time from 40 to 8 minutes.

02 Contexto demais, resultado de menos

A resposta brasileira típica gasta a maior parte do tempo explicando a empresa, o projeto e o cenário, e chega ao resultado com pressa ou nem chega. O entrevistador espera o contrário: contexto em uma ou duas frases e a maior parte do tempo no que você fez e no que mudou. Se for preciso cortar algo, corte o contexto.

03 Resultado sem número

"Melhorou a performance" não diz quanto. Sempre que possível, traga uma medida: tempo, custo, erros, usuários, horas economizadas. Se não tiver o número exato, uma estimativa honesta funciona, desde que você diga que é estimativa.

Fraca

I improved the performance of the API.

Forte

I reduced the API's p95 latency from around 900 to 300 milliseconds by adding a cache layer.

04 Ponto fraco de fachada

"I'm a perfectionist" ou "I work too hard" são lidos como resposta ensaiada para fugir da pergunta. O que se espera é um ponto fraco real, um exemplo de quando ele atrapalhou e o que você está fazendo a respeito. A pergunta avalia autoconhecimento, não perfeição.

05 Pedir desculpas pelo inglês

Abrir a conversa com "Sorry for my English" faz o entrevistador prestar atenção justamente no inglês. Se você não entendeu uma pergunta, peça para reformular ou confirme o que entendeu. Isso é visto como cuidado, não como falha.

  • Could you rephrase that, please?
  • Just to make sure I understood: you're asking about...

06 Pensar em silêncio na entrevista técnica

Em live coding e system design, o entrevistador avalia o raciocínio, não só a resposta final. Ficar em silêncio por um minuto é lido como travamento, mesmo quando você está pensando bem. O esperado é narrar: qual a primeira ideia, qual o problema dela, por que você trocou de abordagem.

  • Let me think out loud for a second.
  • My first idea is to use a hash map, but the trade-off is memory.
  • I'm not sure about this part, so let me check my assumption.

07 Fugir do número na pretensão salarial

Recrutadores de fora costumam perguntar a expectativa salarial já na primeira conversa. Responder só "I'm open" pode passar a impressão de que você não conhece o seu valor no mercado. Chegue com uma faixa pesquisada, na moeda da vaga, e saiba se o número é anual ou mensal e se é bruto.

08 Não ter perguntas no final

"No, I think you covered everything" costuma ser lido como pouco interesse. Leve duas ou três perguntas sobre o time, os desafios dos próximos meses ou como o sucesso é medido na posição. Elas também mostram que você pensa como alguém que já está no cargo.

Erros de inglês que mudam o sentido da resposta

A maioria dos deslizes de gramática não derruba ninguém numa entrevista. Estes são diferentes: são traduções diretas do português que mudam o que você quis dizer.

O que se dizO que o entrevistador entendeComo dizer
Actually, I work at a fintech."Na verdade", como se você corrigisse algoCurrently, I work at a fintech.
I work here since 2021.Dá para entender, mas soa como tradução diretaI've been working here since 2021.
I pretend to move to a senior role."Fingir" que vai mudar de cargoI intend to / I plan to move to a senior role.
Eventually I lead the daily."No fim das contas" eu conduzoOccasionally, I run the daily stand-up.
I realized the integration."Eu percebi" a integraçãoI built / delivered the integration.
I assisted the meetings with the client.Você "ajudou" as reuniõesI attended the meetings with the client.

Dúvidas frequentes

Preciso ter inglês avançado para passar numa entrevista internacional?

Não necessariamente. Muitas vagas pedem nível B2, que permite conversar sobre o trabalho com segurança, mesmo com erros. O que mais pesa é conseguir explicar o que você fez, o seu raciocínio e os seus resultados de forma clara.

Quanto tempo leva para se preparar?

Depende do seu nível de partida e de quando a entrevista acontece. Com uma entrevista já marcada, a preparação se concentra nas etapas do processo e nas suas respostas. Sem data, dá para construir o repertório com mais calma, junto com o inglês do dia a dia.

Como sei se meu nível já é suficiente?

O teste de nível de inglês da Inglês.Dev é gratuito, leva de 20 a 25 minutos e usa situações reais de trabalho em tecnologia. O resultado aparece assim que você termina.

Como é a preparação na Inglês.Dev

Individual e a partir da vaga que você está buscando.

Alunos da Inglês.Dev já foram aprovados em processos seletivos em inglês de empresas como Google, Red Hat e Salesforce.